terça-feira, 8 de setembro de 2009

As jóias do Egito – 12ª dinastia

A genialidade e a habilidade dos artesãos do Médio Império têm sua máxima nas jóias criadas para as rainhas e as princesas da 12ª dinastia. O requinte e as cores vivas das coroas, colares, pulseiras, tornozeleiras e anéis que adornam essas mulheres estão entre as melhores conquistas da joalheria egípcia. Os joalheiros reais da 12ª dinastia dependiam principalmente de alguns materiais para a confecção de suas criações:
  1. ouro,
  2. faiança,
  3. ametista,
  4. lápis-lazúli,
  5. cornalina,
  6. turquesa,
  7. feldspato;
as obras resultantes combinam disposições resplandecentes de cores profundas e vivas. Os elementos individuais também eram criados com apenas um material, como o ouro ou a ametista, adornados com decorações chanfradas ou entalhadas. Esses componentes eram então montados em finas peças de joalheria, com a adição de uma variedade de contas, feitas com pedras semipreciosas.

Colar de Neferuptah – ouro, cornalina, feldspato, pasta vítrea; altura 10cm, comprimento: 36,5cm; 12ª dinastia, reinado de Amenemhet III (1844-1797 aC)

As jóias das princesas e das rainhas do Médio Império eram decoradas com desenhos e símbolos que protegiam quem as usava e ao mesmo tempo demonstravam sua condição social. Os uraeus e o ornamento peitoral, incorporam os nomes e as imagens do rei, definindo o proprietário como um membro da família real. Outros tipos de jóias eram usadas pelos homens e mulheres da classe alta.

Apesar dos esconderijos, dos quais muitas jóias reais da 12ª dinastia foram recuperadas, não terem sido descobertas por ladrões de tumbas, a deterioração dos fios que uniam os elementos dessa joalheria resultou na perda de sua disposição original. O conhecimento de como essas jóias foram compostas e usadas foi entendido a partir de pinturas, relevos e esculturas que retratam as mulheres, reais ou súditas, adornadas com uma variedade de ornamentos.

  • Apenas alguns diademas reais sobreviveram, cada qual com uma disposição exclusiva de motivos florais. As flores adornam as cabeças femininas com grande frequência nas pinturas, relevos e nas esculturas e tais diademas reais supostamente representam uma versão, confeccionada em um material permanente, de ornamentos que eram feitos com flores frescas. Além dos elementos florais, o diadema de Sithathoriunet inclui também um uraeus, enquanto que um dos diademas de Khnumet têm um abutre de asas abertas.

  • As gargantilhas largas, ornamentos populares durante toda a história do Egito. Um tipo de colar raramente preservado consiste em um pingente largo e elaborado, chamado de ornamento peitoral, usado sobre o peito, suspenso por fios de contas no formato de gotas e de esferas. Um grupo de amuletos incrustados, conhecido como fechos com divisas, está relacionado aos colares. Esses pequenos fechos são compostos de hieróglifos incrustados que formam palavras ou frases curtas, como "alegria", "nascimento". Cada peça tem um fecho deslizante cuidadosamente trabalhado.

  • O tipo de pulseira usada durante esse período consiste em fileiras de contas finas, feitas de pedras semipreciosas e separadas por espaçadores, que são barras de ouro rígidas feitas de fileiras de contas unidas, essas pulseiras aparecem com frequência na arte egípcia. As pulseiras usadas pelas mulheres da família real, apresentam fechos com incrustações decoradas com o nome do rei ou com símbolos como o pilar de djed, um sinal que denotava estabilidade e resistência.

  • As tornozeleiras de pedras semipreciosas e barras sólidas de ouro, cujo desenho era similar ao das pulseiras mais largas, eram ornamentos comuns. As correntes de contas maiores também eram usadas para criar tonozeleiras, em alguns casos eram colocados pingentes no formato de garras, feito de ouro sólido ou incrustados.

  • Os escaravelhos na 12ª dinastia, podiam ser usados como anéis. As bases eram decoradas com motivos diversos.

  • As pinturas e estatuetas que datam do Médio e do Novo Império, geralmente retratam mulheres jovens com cintos de conchas de caurim, esse tipo de adorno foi usado durante um longo período. As imagens mostram mulheres nuas adornadas apenas com o cinto amarrados na altura dos quadris.

A descoberta de uma coleção intacta de jóias do Médio Império, revelaram um pequeno esconderijo de jóias em 1994. Os objetos encontrados pertenceram à rainha Weret, mulher que supostamente foi uma das esposas de Senusret III. As jóias estavam escondidas em um pequeno nicho no fundo do poço vertical que levava até os apartamentos funerários. A localização incomum desse esconderijo, pode explicar porque os ladrões, durante a brutal destruição da câmara funerária da rainha, não encontraram as jóias.

Origem: 'Tesouros do Egito' do Museu Egípcio do Cairo, editado por Francesco Tiradritti – pág. 136

Um comentário:

Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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