sexta-feira, 8 de maio de 2009

Bubastis e os gatos

Segundo conta Heródoto – Bubastis era considerada, na Antiguidade a mais culta cidade egípcia, onde se celebrava uma das festas anuais mais importantes do Egito: as bubastias. No seu solo, encontram-se restos arqueológicos tanto do Antigo como do Médio Império, bem como do Novo e do Terceiro Período Intermediário. Nos seus arredores, encontram-se as galerias subterrâneas de um dos mais importantes cemitérios de gatos, animal venerado no local sob a forma da deusa Bastet.

É numa colina, atualmente chamada Tel-Basta, que se encontra a antiga Bubastis. Tel-Basta fica situada a cerca de 80 km a noroeste do Cairo, na margem oriental do Delta do Nilo. Esta cidade foi capital do nomo XVIII, uma das subdivisões regionais do Baixo Egito, e capital do país durante as XXII e XXIII dinastias. Deve a sua importância ao fato de estar situada na entrada do Uadi Tumilat, a principal via de comunicação com o Golfo de Suez, a Península do Sinai e o Sudoeste asiático. Até 1887-1889, quando Naville começou as primeiras escavações, Bubastis era apenas um monte de paredes e blocos de pedra. As sucessivas escavações permitiram obter informação exaustiva a cerca da evolução da cidade ao longo de toda a sua história, que vai a IV dinastia até ao período da dominação romana.

A deusa Bastet
Esta deusa gata era a divindade local de Bubastis. Durante o Antigo Império, a deusa Bastet foi incorporada no panteão dos deuses egípcios. No Médio Império, o gato tornou-se o animal sagrado de Bubastis. A partir do Novo Império, a deusa foi representada com cabeça de gato. O seu nome é representado por um frasco  de unguento que, provavelmente, era utilizado nas cerimônias funerárias, de modo que a sua iconografia está de certa forma relacionada com o ritual da unção. São muitas as representações nas quais Bastet costuma aparecer com aspecto humanizado:
  • corpo de mulher e cabeça de gata, um singular enfeite de cabeça, um brinco na orelha e um colar no peito, nas mãos tem um sistro, ou matraca e uma égide, ou escudo, e do seu braço pende um cesto
  • também assumia uma aparência irada e, neste caso, representada com cabeça de leoa
Bastet era identificada com as deusas: Hathor, Sekhemet, Tefnut, Mut (em Tebas) e Uadjit. Em épocas posteriores, passaria a denominar-se "a alma de Ísis". De um modo geral, é difícil estabelecer a separação entre Bastet, Hathor, Sekhemet, Tefnut, uma vez que todas estas divindades partilham muito dos seus mitos. Associada as outras deusas, Bastet foi introduzida no mito da deusa longínqua, afastando-se da Núbia, onde foi apreciada pela sua aparência irada e adotou a forma leonina, passando depois a ser identificada com o olho de Rá. Este mito aparece gravado pela primeira vez nas paredes do túmulo de Seti I, e posteriormente passou a ilustrar muitos dos templos do período ptolomaico.

O templo
Na sua época de esplendor o seu templo era rodeado pelas águas e parecia uma ilha. O conjunto ficava situado no centro da cidade, mas a sua altura era inferior à dos demais edifícios do local. Atualmente, existem apenas vestígios que nos permitem saber qual era a sua forma e que dimensões possuia. Entre as ruínas que se podem visitar, destacam-se o átrio, que data da XXII dinastia, e o pátio "jubilar" de Osorkon II. Este pátio é antecedido por um portal monumental decorado com representações muito interessantes da festa do Heb Sed e do seu fundador. Da sala hipostila só resta parte das arquitraves e das colunas palmiformes, procedentes do Médio Império. O santuário atribuído a Nakhthorheb (Nectanebo II), da XXX dinastia. Do outro lado da calçada podem ser visitadas as ruínas do templo de Pepi I, pertencentes a VI dinastia. Ao norte do grande templo, fica a necrópole da cidade, com um cemitério do Médio Império e túmulos de diferents épocas. A oeste ficam as ruínas de um edifício de tijolo da XII dinastia. Uma sala hipostila, da qual apenas existem as bases das colunas, um pátio com pilares e salas anexas são os restos do que poderia ter sido um palácio ou um templo. (na figura ruínas do templo)

O cemitério dos gatos

Nos templos da deusa Beastet em Bubastis, criavam-se gatos. Seguindo pela estrada em direção a Zagazig, chegamos as galerias subterrâneas do cemitério dos gatos sagrados. Esses animais eram considerados a encarnação terrestre da deusa. Quando morriam, eram cuidadosamente mumificados e enterrados na sua própria necrópole, em túmulos que lhes eram especialmente destinados. (figura ao lado de uma múmia de gato)





Fonte: Egitomania – o fascinante mundo do antigo Egito – fascículos 2001

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Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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